Fashion para mim é um nada, diz Luiz Tripolli no Vitrine
Foto: Divulgação/TV Cultura
Além das duras declarações do fotógrafo sobre a profissão, os desfiles de moda e a publicidade, o programa da TV Cultura deste sábado (18/9) traz também o dia a dia dos jornalistas que fazem cobertura policial
No Vitrine deste sábado (18/9), às 19h, na TV Cultura, Sabrina Parlatore entrevista um dos pioneiros da fotografia de moda no Brasil, Luiz Tripolli. Com quase 50 anos de carreira, ele revela por que largou a publicidade, diz que o mundo fashion é um “nada”, e vê a fotografia de hoje totalmente banalizada.
Autodidata, iniciou a carreira profissional em 1963 como fotógrafo de eventos. Já colaborou para a Editora Abril, participando de todas as revistas do grupo e ganhando vários prêmios como Profissional do Ano. Foi o primeiro a dar a justa dimensão a Ana Paula Arósio, então com 14 anos de idade. Nomes como Ana Hickmann e Ana Claudia Michels, e uma fatia da história do mundo fashion e da publicidade já passaram por suas lentes.
No bate-papo com Sabrina Parlatore, Tripolli diz que a fotografia hoje está totalmente banalizada: “As imagens estão frias, muito retocadas, na realidade elas são falsas. Quando passamos em frente às bancas de jornal, com mulheres nuas estampadas nas revistas, aquilo tudo é uma mentira. Ninguém tem aquela pele, ninguém é perfeito daquele jeito, aquela luz não existe. Ficam todas parecendo bonecos de ventríloquo”. Ele enfatiza ainda a influência que isso causa nas meninas de hoje: “As garotas estão sempre em busca de uma perfeição estúpida e burra que não existe”.
Sua opinião sobre o mundo fashion é ainda mais arrasadora: “Um desfile de moda hoje mais parece um bando de cadáveres, meninas que pegaram num necrotério e colocaram na passarela. Elas não têm expressão, não riem, o olhar delas não passa nada. O significado de fashion para mim é ‘o nada’. Se você quiser ser fashion você deve ser vazio, sem emoção, tem que ser blasé e se fantasiar de alguma coisa que alguém vai dizer que está lindo”.
O mercado publicitário também é alvo do fotógrafo, que há dez anos não faz mais trabalhos para este segmento: “Eu eliminei os publicitários da minha vida. São pessoas que se tornaram mais importantes que os próprios clientes deles, do que o próprio produto que eles estão anunciando”.
No final da entrevista, Tripolli confidencia: “Gosto mesmo é de fotografar as mulheres por causa das formas, dessa diferença que a mulher tem do homem, das curvas, da pele macia, do olhar mais sedutor e fêmeo, as extremidades das mulheres...”, finaliza.
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