Nicette Bruno fala do amor pelo teatro e por Paulo Goulart no Persona em Foco
A atriz Nicette Bruno é a convidada do Persona em Foco desta quarta-feira (10/5). Com apresentação de Atílio Bari e roteiro de Analy Alvarez, o programa da TV Cultura vai ao ar às 23h.
Os entrevistadores convidados para esta edição são o jornalista Miguel Arcanjo e o ator Roberto Arduin. Nicette Bruno, aos 84 anos e 71 de carreira, tem cerca de 148 trabalhos realizados e muita história para contar.
A atriz lembra que, aos quatro anos, já declamava nos saraus que sua avó realizava semanalmente, e que sua mãe a levava para cantar no programa infantil da Rádio Guanabara.
Nicette revela que descobriu seu amor à arte de representar durante sua estreia profissional no espetáculo A Filha de Iório, de Gabriel D’Annunzio, produzido pela Companhia de Dulcina de Moraes. Sua atuação lhe valeu a medalha de ouro de Atriz Revelação pela ABCT (Associação Brasileira de Críticos Teatrais). “Foi aí que eu descobri o frisson interno de que não poderia fazer outra coisa. Não poderia vivenciar algo na minha vida que não fosse atuar como atriz”, diz ela.
A artista conta também que recebeu formação teatral do diretor polonês Zbigniew Marian Ziembinski. Ele a dirigiu em Anjo Negro, de Nelson Rodrigues.
Em ritmo acelerado, Nicette logo passou à empresária e, aos 17 anos, fundou o Teatro de Alumínio, na Praça das Bandeiras, em São Paulo. Foi ali que ela conheceu o marido Paulo Goulart. Ela conta que precisava de um galã para a peça Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil, e que Paulo foi aprovado nos testes: “Eu nem olhava direito pra ele, porque eu estava sentindo uma responsabilidade imensa de assumir aquele teatro sem nenhuma experiência, aos 17 anos. E o Paulo fez um enorme sucesso”.
Durante uma festa, Nicette soube que haveria um romance na companhia e que o galã estava apaixonado pela mocinha, o que a deixou surpresa: “aí comecei a olhar o Paulo diferente. Na festa pediram para eu declamar um poema e Paulo sugeriu um de nossos ensaios. Declamei, mas não via o Paulo. Fui procurá-lo, ele estava numa sala escurecida e eu disse ‘você pediu para dizer o poema e sumiu’. E ele respondeu ‘Eu pedi para você dizer o poema pra mim e não pra essa gente toda’. Aí o sininho tocou. Começamos a dançar, terminou a música, ficamos de mãos dadas e continuamos assim o resto da vida”.
Nicette conta detalhes de sua trajetória na televisão, que até o momento contabiliza 46 novelas, muitas relevantes para a dramaturgia comoSelva de Pedra; Rainha da Sucata; Ti Ti Ti e A vida da gente. Ela ainda relembra os primeiros trabalhos nas extintas emissoras TV Excelsior e Tupi, onde atuou em novelas de sucesso daquela época, com destaque para A Muralha, O Meu Pé de Laranja Lima, Rosa dos Ventos, Papai Coração, Éramos Seis e Como Salvar Meu Casamento.
No teatro brasileiro, a atriz contabiliza mais de 90 espetáculos que conquistaram crítica, público e diversos prêmios. Trabalhou com diretores consagrados nos espetáculos Week-end, com direção de Antunes Filho, Zefa entre os Homens, de Ziembinski, e Somos Irmãs, de Antônio Abujamra, com o qual ganhou os prêmios Shell e Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) de melhor atriz.
Com 71 anos de carreira, Nicette reafirma seu amor ao teatro: pena que muitos entrem nas escolas de teatro visando à televisão. Isso me desagrada, porque o teatro é completamente diferente de tudo. Ele que dá consistência, sentido e estrutura. Ele dá a base para fazer televisão e cinema”.
Nicette Bruno se emociona e emociona a plateia ao falar da ausência de Paulo Goulart, falecido em 2014. Diz que foi um período difícil e triste. E que até o último momento, tinha esperança de que ele fosse curado.
“Os filhos sabiam e ele sabia que estava no fim, mas nunca demonstrou para mim. Foi um momento duro e difícil. A doutrina espírita me ajudou a enfrentar esse aparente afastamento. Porque jamais Paulo sairá do meu coração e jamais sairá da minha lembrança até o momento do nosso reencontro. Então, eu quero trabalhar. Só o trabalho permite que eu consiga superar toda essa dor. Não quero parar nunca. Enquanto puder, estarei no palco e na televisão. Estarei nos encontros com vocês, jovens, que me dão força e coragem para continuar.”
O programa ainda conta com depoimentos de Suely Franco, Paulo Guarnieri, Francisco Solano, Alcides Nogueira, Lucia Capuani, Barbara Bruno e Mateus Carrieri.
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